Ler é Viver (Outras Vidas) - De 9 a 13 de maio de 2017

terça-feira, 9 de maio de 2017

Às maio 09, 2017 por Livros aOeste   Sem comentários

O poeta Manuel Alegre foi um dos grandes destaques deste primeiro dia do Festival Literário Livros a Oeste, onde apresentou a edição dos 50 anos de O Canto e As Armas. Uma obra histórica e que marcou uma geração. Uma geração que marcou presença numa plateia preenchida, no Auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira. 

O Canto e As Armas é um livro que reúne inúmeros poemas de Manuel Alegre, escritos numa época marcante para a nossa sociedade e para o nosso país. Segundo a editora do autor, este é "o livro de uma geração mas que se prolongou no tempo enquanto voz de esperança numa pátria livre e de denúncia da opressão política da ditadura salazarista, da guerra colonial, da emigração e do exílio, a que muitos portugueses, como o próprio poeta, foram condenados".

Este livro viu ainda alguns dos seus poemas serem musicados e cantados por Adriano Correia de Oliveira, que acabaria por dar o nome de O Canto e As Armas a um dos seus álbuns, em 1969. E foi precisamente desta época que Manuel Alegre falou com todos os que estiveram presentes no Auditório e que se mostraram interessados em ouvir o autor destes poemas. Manuel Alegre deixou ainda claro que considera que a "palavra continua a ser uma arma nos dias de hoje", tecendo algumas críticas à política internacional europeia e elogiando o Governo português pelas políticas que tem vindo a implementar e pelos resultados positivos alcançados. No seguimento destas palavras, o poeta acabaria por ler aos presentes alguns poemas do seu último livro, "Bairro Ocidental" (2015), onde reuniu algumas rimas bastante críticas das políticas dos últimos anos, tanto em Portugal como na Europa.

No final, com algumas questões dos presente, Manuel Alegre divagou ainda entre histórias do pré e pós 25 de Abril e do seu exílio. A apresentação terminou com uma sessão de autógrafos bastante concorrida. 

Grande adesão à Tertúlia "O Poema é Uma Gaveta da Memória" 



Foi muito o público que se deslocou ao Auditório Dr. Afonso Rodrigues Pereira para assistir à Tertúlia "O Poema é Uma Gaveta da Memória", com Olinda Beja, Fernando Pinto do Amaral e Natália Luiza. 

Olinda Beja é escritora, poetisa e narradora, natural de São Tomé e Príncipe, mas residente em Portugal desde muito jovem. Acabou por trazer à sessão um pouco das suas raízes, através da declamação de um poema e ainda com a partilha de algumas realidades no que toca à dinamização da literatura no país onde nasceu. Olinda falou ainda dos seus mais recentes livros "Tomé Bombom" e "Um Grão de Café" - que faz parte do Plano Nacional de Leitura. 

Na conversa com os restantes membros da mesa, Olinda partilhou experiências com a poesia, tanto com a escrita como com a declamação. Natália Luiza, conhecida e reconhecida atriz portuguesa, partilhou a sua relação com os textos, com a interpretação de personagens e ainda com a leitura de poemas. Os três intervenientes acabaram mesmo por discutir as diferenças entre quem escreve e lê os seus próprios textos e quem lê textos de outros autores, admitindo que são experiências diferentes e que exigem esforços distintos.

Fernando Pinto do Amaral partilhou a sua experiência com a poesia, declamando também um poema do seu último livro "Manual de Cardiologia". Esta publicação terminou um silêncio de alguns anos do autor, que admitiu que se sente sempre muito melhor a escrever sobre as suas emoções e não de emoções que nunca tenha experimentado. O tema acabou por se estender às restantes intervenientes, que mantiveram sempre a conversa num nível de interesse elevado e cativante para o público presente.


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